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Últimas sessões de competitivas marcam a sexta na 22° Mostra de Tiradentes

Últimas sessões de competitivas marcam a sexta na 22° Mostra de Tiradentes

A 22ª Mostra de Tiradentes começa hoje a se despedir da cidade. O evento exibe hoje suas últimas sessões competitivas, com três longas – dois da Mostra Aurora e um da Olhos Livres – na disputa pelos troféus Barroco, que serão entregues na cerimônia de encerramento, no sábado (26 de janeiro).

Um deles é o documentário paulista “A Rosa Azul de Novalis”, que faz sua pré-estreia mundial em Tiradentes antes de ser exibido na seção Fórum do Festival de Berlim, em fevereiro. A produção dos diretores Rodrigo Carneiro e Gustavo Vinagre será exibida às 20h no Cine-Tenda e traz a história de Marcelo, homem de memória inigualável que relembra sua infância e até mesmo suas vidas passadas.

O último filme programado na Aurora deste ano é o carioca “Um Filme de Verão”, que o público pode conferir a partir das 22h, também na Tenda. Primeiro longa da cineasta Jo Serfaty, a ficção lança um olhar sobre o Rio de Janeiro em crise sociopolítica e moral dos dias atuais, por meio do cotidiano de quatro adolescentes buscando escapar dos 40º do verão do último mês de aulas.

Do Rio, também vem o derradeiro concorrente na Mostra Olhos Livres. Exibida às 18h no Cine-Tenda, a ficção “Calypso” é assinada por Lucas Parente (que faz sua estreia na direção de longas) e Rodrigo Lima, diretor de “O Espelho” e montador de produções nacionais aclamadas, como “Arábia”, “A Erva do Rato” e “Beduíno”.

ESCREVENDO O FUTURO DO CINEMA NACIONAL

As atividades formativas desta edição da Mostra de Tiradentes também estão chegando ao fim. Nesta sexta, serão encerradas as quatro oficinas oferecidas para o público juvenil. Amanhã, “Produção” e “Direção para Cinema”, ambas no recorte adulto, fecham os trabalhos em 2019, completando um total de dez modalidades ofertadas e 270 participantes capacitados nas mais diversas áreas do fazer audiovisual.

Entre os destaques deste ano, estiveram o diálogo com as novas tecnologias – várias oficinas propuseram o uso do smartphone como ferramenta na produção cinematográfica – e as diversas atividades de atuação para diferentes faixas etárias. Exemplos são “Documentários em Vídeo Digital”, que preparou os inscritos para o melhor uso do celular no calor da prática documental; e “Dramaturgias do Corpo e Espaço”, que explorou com atores a temática desta edição, “Corpos Adiante”.

Um dos grandes desafios do cinema nacional, porém, continua sendo a qualidade da dramaturgia e dos roteiros. A Mostra de Tiradentes colaborou nesse esforço com “Prática de Roteiro para Cinema”, ministrada pela carioca Renata Mizrahi. “Aqui, a gente trabalha de verdade, com exercícios sobre cada tema proposto, discutindo cada cena, aprendendo um com o outro, ouvindo e melhorando nosso processo de escrita”, explicou a instrutora.

AUTORIA COMPARTILHADA

Às 19h, o Sesc Cine-Lounge recebe o relançamento de “O Autor no Cinema”, clássica obra de Jean-Claude Bernadet atualizada pelo pesquisador Francis Vogner dos Reis. Publicado originalmente em 1994, o livro partia do conceito de “cinema de autor” da crítica francesa dos anos 50 e 60 para falar sobre o cinema brasileiro da época. Com a nova edição, essa reflexão é trazida para a produção nacional dos últimos anos, preenchendo uma lacuna para os estudiosos da área.

O lançamento será acompanhado de uma Roda de Conversa, com presença do autor Francis Vogner dos Reis. O debate vai justapor o conceito de autor ao grande tema de Tiradentes em 2019, o corpo, seu pendor político e social, presença e infinitude. Também participam da mesa os cineastas Cristiano Burlan e Dellani Lima. A mediação será do curador de curtas Pedro Maciel Guimarães.

Quem continuar no Lounge da Tenda vai poder conferir, à 0h30, a performance audiovisual e musical do Loquàz + Video Makino. Duo eletrônico desenvolvido pelos produtores Fumaça e Ana Assis, o Loquàz parte de influências que passam pelo rap, trip-hop e chill. Os dois mineiros misturam composições em inglês com um swing tupiniquim nas faixas de seu primeiro álbum, intitulado “Fluido”.

POVOS SOB AMEAÇA

Antes disso, a sexta ainda oferece na tela retratos de culturas e povos ameaçados no atual contexto sociopolítico brasileiro. Às 15h, o Cine-Teatro Sesi recebe a Sessão Debate de “Corpo Quilombo”, dentro da Mostra Corpos Adiantes. A ficção do diretor Leonel Costa acompanha três grupos de personagens em situações diversas, refletindo sobre os desejos, mudanças dúvidas e expectativas em um país onde o futuro da juventude negra é uma incógnita.

Mais tarde, às 21h, é a vez da produção paulista “Para’í” levar ao Cine-Praça a saga do povo Guarani no interior de São Paulo. Longa de estreia do diretor Vinícius Toro, o filme acompanha a pequena Pará, garota que vive na menor terra indígena do país e entra em contato com a cultura de seu povo por meio de uma espiga de milho tradicional, que ela nunca havia visto antes.

Ambas as sessões serão seguidas de bate-papo sobre os filmes, mediadas pelos curadores de longa desta edição: Lila Foster, no caso de “Corpo Quilombo”; e Cleber Eduardo, no caso de “Para’í”.

Os debates também rolam pela manhã. Às 10h, no Cine-Teatro Sesi, Francis Vogner dos Reis analisa “Parque Oeste”, exibido na noite de quinta na Mostra Olhos Livres, sob mediação de Camila Vieira. Na sequência, é a vez dos dois longas da Aurora na noite anterior: primeiro, “Desvio”, às 11h15, com comentários do goiano Fabrício Cordeiro; e encerrando os trabalhos, às 12h30, o mineiro Ewerton Belico conversa com realizadores e público sobre o paraibano “Vermelha”.

Completando a programação, curtas de quatro cantos do país – Bahia, Pernambuco, Amazonas e São Paulo – encerram as sessões da Mostra Panorama no Cine-Tenda, às 16h30.

Toda a programação é oferecida gratuitamente ao público.

Fonte: http://mostratiradentes.com.br