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Gestar e Nascer discute realidade obstétrica em São João

Gestar e Nascer discute realidade obstétrica em São João

Violência verbal, desrespeito à legislações já instituídas, manobras não permitidas, acompanhamento inadequado, e uma série de outras posturas nocivas ainda são muito presentes na saúde obstétrica brasileira. Questões básicas - como o direto a acompanhante no momento do parto – ainda são negadas as mulheres nesse momento tão único e especial em grande parte do Brasil. Pensando na pertinência das questões relacionadas ao assunto,  o “I Seminário Gestar e Nascer”, aconteceu no dia 18 deste mês, organizado pelo Comitê em Defesa da Vida da Região de São João del-Rei. O evento aconteceu no anfiteatro do Campus Dom Bosco da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), das 8h às 17h.

O principal  objetivo do evento foi promover um debate sobre a violência obstétrica no país e em nossa cidade, elucidando a realidade local com o intuito de despertar possíveis multiplicadores de mudança em São João del-Rei. Para tanto, o evento contou com a presença de professores e alunos do Curso Técnico em Enfermagem do Campus São João del-Rei,  e  teve como parceiros  o Núcleo de Redes de Atenção à Saúde e Gerência Regional de Saúde de SJDR, Secretaria Municipal de Saúde, UFSJ, IF Sudeste MG Campus São João del-Rei, UNIPTAN e Coletivo Maternagem  Ativa, contando ainda com a presença da Associação Artemis, de Juiz de Fora. Em sua fala na mesa de abertura do evento, o Diretor do Campus São João del-Rei Ataualpa Luiz de Oliveira, ressaltou a importancia da participação do curso de Enfermagem no Seminário. "Nosso Campus sente-se muito feliz em poder participar e contribuir com esse debate, e principalmente por poder estar  proporcionando mais um momento de formação para os nossos alunos."

Sendo aberto à comunidade, a atividade recebeu estudantes, profissionais, mães e gestantes que lotaram o anfiteatro. Três mesas de debate nortearam o evento no período da manhã.  A primeira foi conduzida por Raquel Marques, diretora-presidente da Associação Artemis, que falou sobre o   “Cenário atual sobre violência obstétrica”.  Nela, foram abordados assuntos como formas físicas e psicológicas de atuação da  violência obstétrica,  naturalização do sofrimento e da dor do parto, descaso com a mãe após o nascimento, além de contextos históricos, culturais e sociais que formam a ideia de maternidade ainda presente em nossos dias.  “Precisamos discutir esse contexto que temos atualmente, pois cada um de nós contribui um pouco com a propagação dessas ideias. E cabe a cada um de nós aqui dizer basta também.”, comenta Raquel.

Logo em seguida, a palestra "Violência Obstétrica: recomendações para prevenção e responsabilização em São João del-Rei" foi conduzida pela psicóloga Mônica Soares Beato, membro do grupo Maternagem  Ativa. Em sua fala, vários relatos de gestantes são-joanenses de diferentes classes de São João foram explanados, esclarecendo alguns pontos cruciais relacionados a realidade obstétrica da cidade. Selando as discussões, um debate mediado por Cássia Beatriz Batista, professora dos cursos de Medicina e Psicologia da UFSJ permitiu que os participantes do evento tecessem comentários e tirassem dúvidas, enriquecendo ainda mais a conversa.

Após o intervalo do almoço, a programação contou ainda com duas mesas de discussão, “Prevenção à violência obstétrica pelas mudanças no modelo de assistência em saúde materno-infantil” e “Prevenção à violência obstétrica pelas inovações na produção do cuidado em saúde materno-infantil”, nas quais foram debatidas mudanças já ocorridas e futuras melhorias.

Além da promoção da união de diferentes setores sociais que são atingidos pelas dificuldades encontradas na obstetrícia atual da cidade, o evento foi uma forma de por a comunidade  à par da realidade local, possibilitando o fomento de ações que promovam as transformações necessárias. 

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