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Aprovado Guia Orientador de Ações Inclusivas no IF Sudeste MG

Aprovado Guia Orientador de Ações Inclusivas no IF Sudeste MG

O IF Sudeste MG começou a reservar uma parcela das vagas de seus cursos para pessoas com deficiência, indicando que em 2018, este grupo tende a crescer. Mas será que a instituição está preparada para recebê-las?  

Ao menos, pode-se dizer que estamos caminhando para esta condição. Foi aprovado no Conselho Superior o “Guia Orientador: ações inclusivas para atendimento ao público-alvo da educação especial no IF Sudeste MG”, referendado também em outras instâncias e já adotado como referencial para ações de inclusão na instituição. O objetivo é possibilitar mudanças na realidade institucional, oferecendo subsídios para ações que prezem pela qualidade de educação oferecida a TODOS os alunos, valorizando a diversidade entre eles e promovendo, de fato, a inclusão.

O Guia Orientador teve origem a partir de pesquisas feitas pela coordenadora de Ações Inclusivas, Wanessa Moreira de Oliveira, durante o curso de Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão da Universidade Federal Fluminense (UFF). Durante meses, ela buscou conhecer a realidade nacional e institucional, no que diz respeito a inclusão e atendimento aos discentes público-alvo da educação especial. Foi a preparação necessária para propor e realizar melhorias.

Dentre as observações, Wanessa constatou que embora o direito à acessibilidade esteja assegurado por leis e seja considerado prioritário ao constar também no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) do IF Sudeste MG, os regulamentos institucionais mais específicos, como os de cursos técnicos e graduação, não mencionam ou oferecem diretrizes para o atendimento a alunos com deficiência. Seria necessário, portanto, adotar uma política que articulasse ações em prol da inclusão, com o envolvimento de toda a comunidade acadêmica. Para a pró-reitora de Ensino, Gláucia Franco Teixeira, este direcionamento que parte do Guia é de extrema importância para as ações dos campi, por buscar o envolvimento de todos as pessoas ligadas ao processo de ensino-aprendizagem: não apenas professor e aluno, mas também pedagogos, assistentes sociais, psicólogos etc. “Uma equipe pensando nas melhores alternativas para que esse aluno [com deficiência] tenha sucesso e tenha um ensino de qualidade sem diferenciação, sem ter separação dos demais”.  

A pesquisa de Wanessa, então, originou dois capítulos de livro ao longo do Programa (vide abaixo) e passou a ser classificada como “pesquisa-ação”, traduzida na investigação da sua própria prática, de maneira crítica e reflexiva. A coordenadora uniu-se a outros 24 servidores, que colaboraram não só para a criação do Guia, em si, mas principalmente para que fossem consideradas, no estudo, as diversas especificidades entre os campi. Com o Guia aprovado, é hora de colocá-lo em prática. “Não podemos esperar uma situação ideal”, declarou ela.

A estratégia

O Guia Orientador busca organizar e direcionar as ações de inclusão, desde o ingresso, até a conclusão do curso. Mas como? De maneira didática e simplificada, estão indicados seis passos.

O primeiro deles é a “Organização do trabalho inclusivo e da Educação Especial na instituição e nos campi”. O Guia propõe a ressignificação dos antigos Napne’s (Núcleos de Apoio a Pessoas com Necessidade Específicas), que passarão a ser setores, de fato, com uma composição mínima que garanta a pleno participação de seus profissionais nas ações inclusivas. A nova política prevê, ainda, as atribuições destes setores, sendo que seu funcionamento deve ser articulado ao próprio Campus, à Reitoria e à Coordenação de Ações Inclusivas em âmbito geral, responsáveis por darem suporte.

Entre os primeiros passos indicados pelo Guia, também estão a “Garantia de Condições de Acesso” e a “Garantia de Acessibilidade”, que dizem respeito a tudo aquilo que se pensa quando falamos em inclusão (e muito mais): promover participação em processos seletivos em igualdade de condições, ofertando atendimento especial às pessoas com deficiência e ações que promovam a acessibilidade nos âmbitos arquitetônico, digital, comunicacional, atitudinal e pedagógico. Garantindo, por fim, a permanência de estudantes público-alvo da educação especial.

O Guia prevê, ainda, a elaboração de um Plano Educacional Individualizado (PEI) para cada discente com deficiência, considerando as especificidades e o direito de cada um de receber suportes adequados ao desenvolvimento acadêmico. Capacitação de servidores, além do permanente acompanhamento e avaliação de todos os processos também estão estabelecidos como passos indispensáveis, rumo ao sucesso desta política, atitudes que já vêm sendo tomadas pela Coordenação de Ações Inclusivas e seus representantes nos campi:  “Se ainda não temos especialistas em Educação Especial, vamos capacitar os servidores que já estão conosco. A inclusão não é feita por uma pessoa só, ela deve ser feita por todos”.

Para saber mais

O tema inclusão também estará no IV Simpósio de Ensino, Pesquisa e Extensão (Simepe), que acontece no Campus Juiz de Fora, entre os dias 28 e 30 de novembro.

Confira os livros que possuem capítulos de livros assinados por Wanessa, tratando de ações inclusivas no IF Sudeste MG:

  • OLIVEIRA, W. M.; FERNANDES, E. M.  Inclusão na Educação Profissional e Tecnológica. E agora?. In: Neuza Rejane Wille Lima, Cristina Maria Carvalho Delou, Luciana Tavares Perdigão. (Org.). Pontos de vista em diversidade e inclusão.. 1ed.Niterói - RJ: Associação Brasileira de Diversidade e Inclusão (ABDIn), 2017, v. 3, p. 5-185.
     
  • OLIVEIRA, W. M. ; FERNANDES, E. M. O trabalho pedagógico com discentes com síndromes raras na educação profissional e tecnológica: um relato de caso. In: FERNANDES e ORRICO. (Org.). Alunos com Síndromes Raras: direito à educação de qualidade. 1ed.Campos dos Goytacazes: Brasil Multicultural, 2016, v. , p. 128-145.

Matéria relacionada: IF Sudeste recebe apoio do IF Fluminense em ações inclusivas

 

Fonte: Assessoria de Comunicação- Reitoria

Texto: Elisa Franco