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IF celebra o Dia Internacional da Mulher

Há quatro meses Maria Regina Santos Lucio é colaboradora do IF Sudeste MG - Campus São João del-Rei como auxiliar de limpeza. Mas antes de chegar ao Instituto um longo caminho foi percorrido por essa mulher que foi mais que mulher. Foi esposa, mãe, empresária, enfermeira , trabalhadora e militante dos direitos dos portadores de deficiência física e mental através a APAE (Associação de Pais e Amigos dos  Excepcionais).

 
E o que norteou toda vida de Regina, seja nas conquistas ou reveses é o sentimento mais nobre e único, que somente uma mulher é capaz de conhecer, o amor por um filho. Bárbara Lúcia Santos Lúcio, nasceu no dia 03 de agosto de 1992. Com um ano e 10 meses, Bárbara teve meningite e por seqüela teve os movimentos e a visão comprometidos.
 
No começo a notícia caiu como uma bomba sobre a família. Tendo já dois filhos e uma vida estável como proprietária de uma empresa de materiais elétricos em São Paulo, Regina abandonou tudo para cuidar da filha. Por essa escolha que só uma mãe entende de não abandonar qualquer um de seus filhos, essa mulher de fibra perdeu seu negócio que tocava junto ao marido e passou por dificuldades financeiras das mais diversas, devido ao alto custo dos remédios e aparelhos que os cuidados médicos com a filha exigiam.
 
Pela filha, ela estudou sobre as debilidades da criança para saber como cuidar melhor da pequena. Abandonou o emprego e para ajudar o marido que se empregou no terminal rodoviário de São Paulo, fazia presilhas de cabelo durante a madrugada. Ela ganhava R$ 3,00 a cada 1.000 presilhas que fazia e chegava a produzir 3.000 peças por noite. Mas os ganhos eram poucos e os gastos eram muitos. Os filhos pequenos sofreram restrições, as contas chegavam e a despensa ficava cada vez mais vazia. Depois de Bárbara, Regina ainda ficou grávida de novo e de forma inesperada teve um filho saudável e teve que desdobrar para dividir os cuidados  da filha com o caçula, Rodrigo .
 
Mas como mulher aprendeu a ter fé. Apegada a Nossa Senhora, sempre que o desespero batia, clamava por uma luz. Uma vez foi um tio que pagou-lhe as contas e ofereceu duas cestas básicas, que em muito aliviaram sua situação. Outra vez foi uma irmã que lhes doou uma casa que, ainda que sem acabamento, sem sequer vidros nas janelas, os livrou do peso do aluguel. Em outra oportunidade, o patrão do marido conheceu sua casa e sua filha e o promoveu, dobrando o seu salário, para que pudesse sustentar melhor Bárbara e seus irmãos.
 
Quando a vida em São Paulo ficou insustentável, em busca de um tratamento melhor para a filha, que exigia o uso de três conduções até o hospital mais próximo para as sessões de fisioterapia, ela mudou com a família para São João del-Rei onde ganhou uma casa doada pela irmã.
 
Aqui, encontrou a APAE de São João del-Rei onde foi recebida de braços aberto pelo Padre Luiz Zver e conseguiu, finalmente, o tratamento adequado para sua filha.
 
Depois de algum tempo, percebeu a dificuldade financeira da instituição e a possibilidade da APAE na cidade de fechar as portas. Mais uma vez, Regina arregaçou as mangas e promoveu diversos eventos beneficentes para a entidade. Entre eles, um show da Alcione, que veio para São João del-Rei graças ao pedido de Regina em uma carta enviada à produção da cantora.
 
Em 2006, mais um sonho realizado, foi convidada para contar sua história, o que deu origem ao livro “ Minha filha Bárbara” que foi impresso pela gráfica da APAE e lançado oficialmente no Congresso Nacional das APAES desse mesmo ano.
 
“Minha filha foi uma escola para mim. Ela me ensinou tudo que eu precisava aprender na vida: humildade, amor ao próximo, paciência, carinho e a fé”.
 
Bárbara faleceu em julho de 2011, deixando muita saudade e um vazio enorme na vida de Regina que foi preenchido pelo restante de sua família e o trabalho no Campus São João del-Rei, a quem atribui sua recuperação da perda.
 
“Para mim, ser mulher, é você gostar de você mesma, amar e ser amada, chorar, quando tiver vontade de chorar, ser forte quando precisar ser. Lutar por aquilo que acredita, pelo seu trabalho, pela sua família. E saber que tudo que um homem pode fazer, nós também podemos, dentro de nossas limitações físicas, nossas diferenças que nos torna tão especiais.”
 
Para nós, do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais - Campus São João del-Rei, o Dia Internacional da Mulher, comemorado nessa quinta-feira, dia 08 de março, não poderia ser melhor celebrado do que contando a história de Regina, essa nossa ilustre colaboradora e representante.
Regina, na entrada do Campus São João del-Rei, com seu livro publicado em 2006